Os donos da terra



Os donos da terra
Dormiam, cansados,
Nas matas imensas
De verdes cabelos
E céu estrelado.

Vivam tranqüilos
Em perfeita união
Com a natureza e os animais.

Brincavam nos rios
Lutavam nas festas
Caçavam para comer,
Num eterno círculo
Divinamente correto.

Viviam nus, eram felizes,
Eram os donos da terra rebelde,
Selvagem, altaneira e mãe

Um dia, porém,
Uns homens vestidos de panos
Trazendo panelas, machados e espelhos,
Numa catequese de sedução,
Foram transformando
Os homens puros,
Os donos da terra,
Que ao fim se renderam
À força
Ao estrangeiro invasor.
E hoje,
Quase meio século depois,
O homem branco ? O invasor,
Cheio de discursos
Demagógicos ? Patética ironia,
Se sente no direito
De pedaços de chão lhes conceder
Como um favor
Um agrado
Uma esmola.
Quisera poder gritar ao mundo
E aos homens brancos
Que os homens nus,
Eles  sim,
É que são
Os donos da terra !
Quisera ter mocidade e força,
Para de alguma forma os ajudar ...


 Nancy Pimentel


 

                                                                         


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